Huohou Tu – o Mapa das Fases do Fogo

O Huo Hou Tu é o menos estudado dos 3 antigos mapas da alquimia interna chinesa. Nesse artigo conheça melhor essa importante fonte de sabedoria ancestral.

Conteúdo

O Diagrama Principal das Fases do Fogo

O Mapa reproduzido abaixo vem do Yiwai biezhuan (A Transmissão Separada do Livro das Mutações), escrito por Yu Yan em 1284. Esta obra contém vários mapas cosmológicos, seguidos por passagens retiradas do Livro das Mutações e comentadas por meio de citações do Cantong qi (O Selo da Unidade Trina), o texto mais importante da Alquimia Taoísta (Neidan).

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Diagrama das Fases do Fogo

Mapas como este têm uma longa história na China. Eles são usados ​​para mostrar as correspondências entre diferentes formas de marcar o espaço e o tempo, como as direções, os doze hexagramas primários (cada um dos quais está associado a um mês), os dias de o ciclo da lua, as mansões lunares e assim por diante. Para conhecer mais sobre as mansões Lunares acesse o nosso artigo no link: https://shinjigenkan.com.br/vinte-e-oito-mansoes-lunares-astronomia-e-espiritualidade-na-antiga-china-e-japao/. Diferentes disciplinas cosmológicas usam esses gráficos de maneiras diferentes – por exemplo, para cálculos astronômicos ou adivinhação. Na Alquimia, as correspondências mostradas por esses dispositivos são usadas principalmente para estabelecer as “fases do fogo” (huohou), ou seja, os ciclos de disparo na Alquimia Externa (Waidan) e os ciclos de circulação dos componentes primários do cosmos e do ser humano na Alquimia Interna (Neidan). Para saber mais sobre o desenvolvimento do Waidan (Alquimia Externa) e do Neidan (Alquimia Interna) na China leia nosso artigo no link: https://shinjigenkan.com.br/o-caminho-do-elixir-dourado-uma-introducao-a-alquimia-taoista-parte-1/.

No círculo mais interno são mostradas as sete estrelas da Ursa Maior, cujo aparente movimento circular em torno de seu próprio eixo determina a orientação (espaço) e põe em movimento os vários ciclos do tempo. Para conhecer melhor o sistema chinês tradicional de contagem do tempo leia nosso artigo no link: https://shinjigenkan.com.br/principios-fundamentais-das-cinco-artes-chinesas/

Dos anéis internos aos externos, o gráfico mostra:

  • Os quatro arquétipos animais guardiões das direções, ou Quatro Símbolos (Tigre Branco, Pássaro Vermelho, Dragão Verde e Tartaruga Negra enrolada numa Cobra)
  • As Quatro Estações
  • Seis dos Oito Trigramas (Bagua)
  • Os doze Ramos da Terrestres (Dizhi)
  • Os Doze “Hexagramas Soberanos” (Bigua)
  • Os Vinte e Quatro Períodos Solares (do ano)
  • Os trinta dias do Mês Lunar
  • Sessenta dos Sessenta e Quatro Hexagramas
  • As Vinte e Oito Mansões Lunares (Xiu)

O gráfico mostra apenas seis dos oito trigramas e sessenta dos sessenta e quatro hexagramas. Os dois trigramas e quatro hexagramas restantes são:

  • Tian, ou seja, Yang Puro [um hexagrama]
  • Kun, ou seja, Yin Puro [um hexagrama]
  • Kan, ou seja, Yang dentro de Yin [um trigrama e um hexagrama]
  • Li, ou seja, Yin dentro de Yang [um trigrama e um hexagrama]

Tian e Kun (Céu e Terra) representam os princípios masculino e feminino que geram o cosmos e sustentam sua existência. Kan e Li (a Lua e o Sol) abrigam esses princípios depois que o cosmos é gerado. Esses quatro trigramas e hexagramas estão no centro do tempo e do espaço e, portanto, não entram nos ciclos do tempo.

Os doze “hexagramas soberanos” no quinto anel representam a ascensão e a descida de Yin e Yang. Este movimento, muitas vezes referido como “vazante e fluxo” (xiaoxi), é aparente se os hexagramas forem mostrados da seguinte maneira:

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Existem vários gráficos semelhantes a esse estabelecido por Yu Yan. Um deles foi desenhado por Peng Xiao em 947 e pode ser consultado no livro Science and Civilization in China, vol. 5 de Joseph Needham e colaboradores, publicado pela Cambridge Press em 1983 (p. 55-58).

Mapa das Condições de Cultivo do fogo interno e externo

A versão mostrada abaixo é a mais popular e vendida em tapeçarias ou quadros e presente em espaços dedicados á meditação e artes marciais chinesas, chamado “Mapa das Condições de Cultivo do Fogo Interno e Externo” (修真内外火候全图):

houhou tu Shinjigenkan Brasil

Nessa versão, além do mapa principal vemos na base o jiu gong mingtang (九宫 明堂). Jiu Gong 九宫 também significa um tipo de música chinesa. Jiu gong – nove palácios – é um sistema de numerologia com aplicação universal, incluindo música. Mingtang é um desses palácios.

À esquerda, o coelho significa yin (oeste). À direita, o galo significa yang (leste). Já a tartaruga denota o norte. Na parte inferior, há mais caracteres sobre música. Como o caractere Palácio e a menção a 60×3 Gong – uma escala.

No topo da base, onde se completa o círculo, há uma linha yang (contínua) e uma linha yin (rompida), com uma indicação semelhante à raiz de que yang irá promover o núcleo da raiz, e yin desenvolve as raízes que tornam o sistema radicular completo. Entre elas há a tartaruga, expressando o poder seminal e a relação com os rins com as duas linhas (dantien inferior, dantien superior) antes que os 2 se tornem 3 e se movam para os hexagramas.

Todo o Mapa explora as alegorias simbólicas do Caminho do Elixir Dourado que foram aplicados á Alquimia após o surgimento do Cantong Qi. Há um parágrafo na anotação do “Huohou Tu”, que descreve o Huohou muito apropriadamente, o que pode ser descrito como uma quebra de mistério e apontando para a essência. O parágrafo diz: “O céu e o homem são justos, por isso ambos possuem Jindan (o elixir dourado), com o fogo como pivô, esperando a oportunidade e o fogo como o trabalho. Leva-se dezoito vezes para cobrir o fogo, e cada um tem seu efeito energético; há seis vezes, trinta e seis vezes e setenta vezes. No segundo período, você pode usar as coisas de acordo com a oportunidade. São necessários milhares de temperamentos antes que você consiga realizar a obra certa do Céu e do Homem. Os sábios disseram: Os santos usam a medicina, mas não usam o fogo, e poucas pessoas sabem usar o fogo. O cultivo do fogo é o mais sutil e acaba sendo mostrado por imagens falsas. É a oportunidade de mostrar o Universo e o exemplo da verdade sagrada. Portanto, as condições de cultivo do fogo interno e externo, usam o rio Luo como pivô, o caule e o tronco como o pulso, os oito trigramas como a máquina, as leis do céu e da terra para formar seu corpo e o elixir dourado do Caminho. Na segunda etapa do trabalho, há também um caminho do céu e da terra, cada um tem seu próprio tempo, e os elos estão fortemente ligados para fazer seu caminho. A pessoa que cobre o fogo, o verdadeiro sopro do céu e da terra, o cardeal da boa fortuna, é a chave para o sucesso ou fracasso do núcleo dourado. É difícil dizer e também é difícil de ser refinado. Não é verbal e ininteligível, então poucas pessoas conhecem suas oportunidades. Os monges precisam conhecer o fogo, passo a passo, para que possam ter uma visão e experiência em cada etapa. “Na verdade, o fogo está certo no cultivo. O uso apropriado do método da prática esotérica é agir de acordo com o tempo e fazer ações decisivas. É o verdadeiro alento da criação natural do céu e da terra. Portanto, Wu Chongxu, o ancestral da oitava geração da Escola Quanzhen Longmen, tem um poema: “Quando o fogo arder você é transportado aleatoriamente para o Mistério do Mistérios. Takuan já foi milhares de sábios no passado – sua respiração é clara, mas imortal.”

As Fases do Fogo podem ser entendidas, portanto, como as etapas do Desenvolvimento até a formação do Elixir. Uma senda pelas várias etapas da Alquimia Interna.

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